terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A necessidade de ser especial

Sempre que sentir-se deprimido e se autocondenando, sem ao certo saber por que, cuidado, pois essa é uma maneira de fugir de Si mesmo. Esse é um truque da mente. Ao invés de compreender, a energia começa a se mover para a condenação. Assim a mente é muito esperta: no momento em que você começa a ver algum fato, a mente salta sobre ele e começa a condená-lo.

Agora toda a energia se torna condenação, então a compreensão é esquecida, posta de lado e sua energia está se movendo para a condenação, e condenar não ajuda em nada. Isso pode lhe deixar depressivo, bravo, mas depressivo e bravo você nunca muda. Você permanece o mesmo e você se move para o mesmo círculo vicioso novamente e novamente.
Compreender é liberar, assim quando você vê um certo fato não há nenhuma necessidade de condenar, não há necessidade de se preocupar com isso. A única necessidade é olhar para isso profundamente e compreendê-lo.
Se digo alguma coisa e isso lhe magoa — e esse é todo meu propósito: lhe magoar em algum lugar —, desse modo você tem que olhar no porquê isso magoa e aonde isso magoa e qual é o problema; você tem que ver isso. Olhando nisso, tentando se mover ao redor disso, olhando-o de todos os ângulos… Se você condenar, você não pode olhar, não pode abordá-lo de todos os ângulos. Você já decidiu que isso é ruim; sem dar a isso uma chance, você já julgou.
Escute o fato, penetre-o, contemple-o, durma sobre ele e quanto mais você for capaz de observá-lo mais você se tornará capaz de sair fora dele. A habilidade de entender e a habilidade de sair fora disso são apenas dois nomes para o mesmo fenômeno.
Se compreendo uma certa coisa, sou capaz de sair fora disso, indo além disso. Se não compreendo uma certa coisa, não posso sair fora disso. Então a mente prossegue fazendo isso com todos; não é somente com você.
Imediatamente você salta e diz: “Isso está errado, isso não devia estar em mim. Eu não mereço, meu relacionamento está errado e isso está errado e aquilo está errado”, e você se sente culpado. Agora toda a energia está se movendo para a culpa e meu trabalho aqui é tornar você tão inocente quanto possível.
Portanto, o que quer que você veja não tome isso de uma maneira pessoal. Isso não tem nada a ver particularmente com você; é apenas a maneira de como a mente funciona. Se houver ciúmes, se houver possessividade, se houver raiva, é assim que a mente funciona.
A mente possui outro mecanismo: ou ela quer louvar ou ela quer condenar. Ela nunca está no meio. Por meio do louvor você se torna especial e o ego é realizado; por meio da condenação você também se torna especial. Olhe para o truque: de ambas as maneiras você se torna especial! Ela é especial: ou ela é uma santa, uma grande santa, ou ela é a maior pecadora, mas de todo jeito o ego é preenchido. De qualquer maneira você está dizendo uma coisa — que você é especial.
A mente não quer ouvir que ela é apenas ordinária. O ciúme, essa raiva, esses problemas de relacionamento e de ser. Eles são ordinários, todos estão neles. Eles são tão comuns como o cabelo.
Talvez alguém tenha um pouco mais, alguém tenha um pouco menos, alguém o tem preto e alguém o tem vermelho, mas isso não importa muito — eles são ordinários, todos os problemas são ordinários. Todos os pecados são ordinários e todas as virtudes são ordinárias, mas o ego quer se sentir especial. Ou ele diz que você é o maior ou que você é o pior.
Então apenas olhe… Todos esses problemas são ordinários. Quais problemas estão lá, diga-me? Quais problemas você sente? Basta nomeá-los.
Eu tenho uma dor aqui, na minha testa.
Está doendo porque você não está tentando entendê-la, então dói. Você a está condenando; você está dizendo (para si mesmo): “Você não devia estar deprimida. Isso não é você, isso não é bom para sua imagem, isso vai contra sua imagem, isso se torna uma mancha em você e você é uma garota tão bonita! Por que você está deprimida?” — ao invés de compreender por que você está deprimida.
Depressão significa que de alguma maneira a raiva está em você num estado negativo: a depressão é um estado negativo da raiva. A própria palavra é significativa — ela diz que algo está sendo pressionado; esse é o significado de deprimido. Você está pressionando alguma coisa dentro e quando a raiva é pressionada demais ela se transforma em tristeza. Tristeza é uma maneira passiva de estar brava, uma maneira yin de ficar bravo.
Se você remove a pressão sobre ela, ela se transforma em raiva. Você devia estar zangada sobre certas coisas da sua infância, mas você não as expressou, daí a depressão. Tente entender isso! E o problema é que a depressão não pode ser solucionada, devido a que ela não é o problema real. O verdadeiro problema é a raiva; e você continua condenando a depressão, dessa forma você está lutando com sombras.
Primeiro olhe no porquê você está deprimida… Olhe bem nisso e você encontrará a raiva. Muita raiva está em você… Talvez com relação a sua mãe, com relação a seu pai, com relação ao mundo, com relação a si própria, esse não é o ponto. Você está com muita raiva por dentro e desde sua infância você tem tentado ser sorridente, não ser zangada. Isso não é bom. Você foi ensinada e você aprendeu bem.
Portanto na superfície você parece feliz, na superfície você continua sorrindo e todos esses sorrisos são falsos. Bem fundo você está retendo muita raiva. Agora, você não pode expressá-la então você está sentada sobre ela; isso é o que a depressão é; assim você se sente deprimida.
Deixe isso fluir, deixe que a raiva venha. Uma vez que surge a raiva sua depressão irá embora. Você nunca observou isso? Que às vezes após uma raiva verdadeira a pessoa se sente tão bem, viva? Comece a fazer algo em casa. Hum? Faça uma meditação raivosa todo dia… Vinte minutos serão suficientes.
Após o terceiro dia você irá gostar tanto do exercício que será difícil para você esperar por isso. Isso lhe dará uma tal liberação e você verá que sua depressão está desaparecendo. Pela primeira vez você irá realmente sorrir… Porque com essa depressão você não pode sorrir, você finge.
A pessoa não pode viver sem sorrisos então a pessoa precisa fingir, mas um sorriso fingido machuca muito… Não lhe torna feliz; simplesmente lhe relembra de como você é infeliz.
Mas você se tornou cônscia disso. Isso é bom. Quando alguma coisa machuca, isso ajuda. O homem está tão doente que sempre que algo é útil dói, toca alguma ferida em algum lugar. Mas isso tem sido bom…
É isso.
Osho

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